
As pesquisas na área de empreendedorismo se diversificam à medida que os desafios a respeito desse campo são explorados. Segundo Dornelas (2005), atualmente as pesquisas apresentam diferentes focos, como o estudo sobre a criação de novos negócios, a importância da exploração das oportunidades e a participação das mulheres no mercado. Assim, o empreendedorismo é uma área de estudos dinâmica e empolgante, que aborda assuntos de interesse da maioria das pessoas.
Se comparamos as políticas de incentivo a um ambiente empreendedor no Brasil e em outros países do mundo, podemos perceber a falta de foco e a dificuldade com os preceitos básicos de uma gestão profissional, enquanto em outros países o foco está em incentivar a inovação para agregar valor ao que é produzido. Basicamente, os pequenos negócios copiam outros já existentes e não buscam inovar, devido à baixa formação dos empreendedores em geral.
Mas qual é o perfil empreendedor? São várias as características que compõem esse perfil, mas a principal é o gosto pelo trabalho. Assim, diante do exposto, a primeira unidade é a base para o entendimento do mundo econômico, o papel do empreendedorismo e o perfil do empreendedor.
O empreendedorismo é um campo de estudos em evolução, portanto, o entendimento desse fenômeno é importante para a geração de renda por meio do aumento da produtividade. Segundo Stefano e Maia Junior (2012), um americano produz, em média, o equivalente a cinco brasileiros, isso se deve à diferença de acesso ao conhecimento e às tecnologias existentes no Brasil e nos Estados Unidos.
Em geral, economias em desenvolvimento, como a nossa, conquistarão produtividade à medida que cresceu o acesso à tecnologia. O aumento do incentivo ao empreendedorismo é o que pode desenvolver essa produtividade de forma rápida e sustentável.

Assim, enquanto um campo de estudos em desenvolvimento, o empreendedorismo apresenta várias definições e, em geral, estão relacionadas ao foco que é dado por cada concepção.
O termo “empreendedorismo” é a tradução da palavra entrepreneurship e é influenciado pelo termo francês entrepreneur, que designava alguém que intermediava e facilitava a relação entre a ponta produtora e a ponta consumidora, ou seja, alguém que via uma oportunidade nesse comércio. Além disso, alguns economistas utilizam o termo “empresariedade” com o mesmo significado de empreendedorismo.
Por que o Brasil perde de Ruanda em empreendedorismo?
Ao discutir sobre empreendedorismo, é importante entender o contexto dos diferentes países. Assim, frente a outras realidades, o Brasil apresenta uma forte cultura empreendedora. Entretanto, quando comparamos os dados econômicos de empreendedores de outros países, é possível perceber que os negócios brasileiros não se destacam da mesma maneira. Para saber mais, leia a matéria “Por que o Brasil perde de Ruanda em empreendedorismo”, da revista Exame.
De acordo com Dolabela (1999), o empreendedorismo foca no estudo do empreendedor, compreendendo seu perfil, aspectos específicos e ambientais. Para Schumpeter (1983), o empreendedor é aquele que tem a capacidade de ir contra ou destruir a ordem econômica existente, tendo como objetivo a criação de novas formas de gestão, novos produtos ou serviços. Portanto, o empreendedorismo foca em oportunidades não percebidas, considerando os riscos que, em geral, são calculados.
Dornelas (2005) destaca que o estudo do empreendedorismo foca na iniciativa do empreendedor em criar um novo negócio, na paixão que essas pessoas têm pelo que fazem, utilizando de forma criativa os recursos disponíveis para a transformação da sua organização, bem como para transformação social. Veiga (2006) foca a análise do empreendedorismo como uma visão estratégica de transformação da ordem socioeconômica pela geração de riqueza e capacidade de distribuição de renda.
Para Hisrish e Peters (2004), o empreendedorismo estuda a capacidade que o empreendedor tem em articular os vários recursos produtivos existentes ao seu redor, destacando a sensibilidade humana que permite desenvolver indicadores produtivos.
Quanto ao tipo de empreendedor, pode ser dividido em dois grupos principais, sendo o primeiro grupo dos empreendedores internos ou intraempreendedores, que inovam e criam valor dentro das organizações. Como todo empreendedor, este é proativo e nunca se acomoda em sua zona de conforto. O segundo grupo, muito mais estudado, é o dos empreendedores externos, aqueles que alavancam o desenvolvimento por meio da inovação ou da boa gestão dos seus negócios.
Duas correntes são consideradas por estudiosos da área do empreendedorismo, uma delas é a dos comportamentalistas, que focam suas análises nas atitudes e intuições comuns aos empreendedores; e a outra é a dos economistas, que focam nas questões operacionais das empresas. Ambas as linhas têm aspectos em comum, o que se pode observar nas expressões apresentadas pela figura a seguir.

Além disso, existem dois motivos principais em relação à motivação para empreender: o empreendedorismo por necessidade de geração de renda – não é o mais adequado, pois geralmente não há tempo suficiente para se analisar todas as variáveis envolvidas; e o empreendedorismo por oportunidade – no qual a utilização de técnicas e habilidades facilitam a administração de todos os recursos que a criação de um negócio abrange.
O Brasil teve o segundo melhor desempenho em empreendedorismo em 2018, permitindo verificar que existem movimentos onde o empreendedor encontra força. O relatório da Agência Brasil mostra que há uma melhora nos índices de empreendedorismo. Vale a pena acessar o relatório para aumentar seu conhecimento sobre o mercado brasileiro.
Entre as características mais comuns dos empreendedores, independentemente do tipo ou da motivação, é possível destacar:
Para saber mais sobre o empreendedorismo atualmente, devemos nos manter atualizados sobre os acontecimentos, já que vários fatores podem influenciar no mercado. Para saber mais, assista ao vídeo “Empreendedorismo hoje em dia”.
Desse modo, o grande desafio é entender como os empreendedores conseguem destruir a ordem existente e encontrar caminhos que tragam prosperidade pessoal e coletiva. Mais do que isso, cabe ao empreendedor levar esse conhecimento ao maior número possível de pessoas, potencializando o crescimento econômico à medida que os recursos envolvidos no ato de empreender são mais bem alocados.

Assim como em outras áreas públicas, como educação, cultura ou saúde, a atuação dos governos, seja Municipal, Estadual ou Federal, é fundamental para a formação de um ambiente empreendedor.
Para Davidsson (2005), políticos e suas políticas podem promover mudanças no modo como a sociedade é organizada e introduzir regulamentações ou outras mudanças institucionais, a fim de criar oportunidades no mercado. Desse modo, são capazes de criar um ambiente adequado aos empreendedores e às suas iniciativas. Não são os políticos que exercem o empreendedorismo, mas são capazes de influenciar o ambiente para gerar mudanças organizacionais que possibilitem o surgimento de negócios sustentáveis. Um exemplo no Brasil é a Lei nº 123/2006, que trata sobre a microempresa; e a Lei nº 128/2008, que criou a figura do microempreendedor individual.
Segundo Shane (2003), as mudanças nas políticas voltadas ao empreendedorismo permitem às empresas remanejar recursos e produtividade. Demonstrando, Freitas et al. (2004) identifica a importância do Estado, por meio das políticas públicas, promover a capacidade empresarial, para prospecção de novos mercados e para o crescimento da exportação, por exemplo.
Conceitualmente, existem inúmeras formas de incentivo ao empreendedorismo por parte do setor público. Recentemente, a atuação do Estado tem estimulado o Empreendedorismo Social (DUARTE; SANTOS, 2003). As redes de cooperação emergem como uma ferramenta de suporte às novas propostas de políticas públicas (HASTENREITER-FILHO; SOUZA, 2004). Espejo e Previdelli (2004) destacam a importância do fomento da área, principalmente por instituições de ensino privado, com a implantação de projetos pedagógicos, programas, métodos e materiais didático-pedagógicos voltados ao empreendedorismo.
Bom exemplo de incentivo brasileiro foi a criação das áreas de Arranjo Produtivo Local, os APLs, que são áreas que criam condições ou reconhecem situações já existentes em determinadas regiões que desenvolvem as condições para o empreendedorismo.
O Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços considera os Arranjos Produtivos Locais (APLs) aglomerações de empresas e empreendimentos que mantêm a mesma localização ou dividem uma mesma estrutura, apresentando uma determinada especialização produtiva, com modelo aplicado de governança, mantendo vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais (governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa) (MIDIC, 2018).
Além disso, é possível destacar como exemplo de políticas voltadas ao empreendedorismo os programas de acesso ao microcrédito, como forma de fomento voltado ao pequeno empreendedor que tem grande importância na expansão de vendas mediante a disponibilidade de recursos financeiros e, consequentemente, expansão no processo produtivo desse segmento (ANDREASSI, 2003). Também é possível citar o programa “Minha Casa, Minha Vida” como exemplo, já que tem como foco o financiamento com juros diferenciados de residências com um determinado padrão de metragem e valor, incentivando a construção civil.
Todo empreendimento tem início em uma ideia, quer seja fruto de inspiração ou necessidade. Após a fase inicial, existe a etapa de formalização da ideia e identificação das necessidades para a execução do projeto e, nesse momento, o capital pode ser um “problema”. Sendo assim, é importante saber que existem canais que oferecem crédito ou financiamento de atividades empresariais. Para saber mais, assista ao vídeo “Como acessar microcrédito” sobre os programas federais de microcrédito.
No que se refere ao empreendedorismo feminino, é possível notar um quadro de mudanças no Brasil (MACHADO, 2003). Além disso, há também o crescimento de programas para determinadas regiões ou atividades específicas, como para regiões onde as atividades de extrativismo sofrem com as mudanças climáticas. No entanto, para que essas iniciativas tenham maior eficiência, a tecnologia passa a ter grande importância. Nesse sentido, para Hisrich e Peters (2004), o governo tem relevante papel no estímulo à pesquisa, apesar de essa atuação ainda ter muito espaço para crescer, principalmente, em países em desenvolvimento, assim como nos países subdesenvolvidos.
Como forma de mensurar a Taxa de Atividade Empreendedora (TEA) em países e as necessidades de melhoria das condições ou ambiente de suas empresas, o relatório Global Entrepreneurship Monitor – GEM (2011), pesquisa o empreendedorismo em mais de 40 países, destacando o Brasil entre as nações mais empreendedoras do mundo. Além disso, destaca as ações necessárias em relação às políticas e aos programas públicos para o empreendedorismo. No caso brasileiro, ações efetivas existem, entretanto, o maior desafio diz respeito ao reconhecimento de iniciativas por parte dos empreendedores.
No Relatório Executivo Brasil, de 2017, o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) apresentou o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que é anual e apresenta recomendações para a melhoria do ambiente empreendedor. Entre elas, cabe destacar:
●Reforma do Sistema Tributário Nacional, buscando, fundamentalmente, sua simplificação e benefícios para as empresas novas que teriam carência no pagamento de tributos por um determinado período de tempo, ou até que comecem a gerar lucros efetivos. Inclusive desoneração da folha de pagamentos para empreendedores nascentes.
●Desburocratização efetiva. Simplificação dos processos burocráticos e desoneração para quem quer produzir, startups poderiam se formalizar, tal como MEI e acessar com mais facilidade o mercado e demais programas para apoio a esse tipo de empreendimento.
● Política de desenvolvimento para os pequenos negócios. A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa em vigor deve ser consolidado em planos de governo com foco no desenvolvimento e relacionada a um novo ambiente de atuação das empresas no âmbito da tributação trabalhista e do licenciamento. É preciso desonerar e simplificar a vida dos empreendedores para que eles possam crescer e empregar mais.
●Acompanhamento dos efeitos da reforma trabalhista no contexto de criação de novos empreendimentos.
●Políticas públicas para o empreendedorismo devem ser estimuladas e desenvolvidas em periferias.
●Promover intercâmbio e programas para receber empreendedores interessados em se instalar no Brasil.
● Investimento em capacitação e mentorias, ou seja, programas governamentais que financiam ativos de conhecimento, e não somente estruturas.
● Apoiar as instituições que já fomentam o empreendedorismo (Sebrae, Endeavor, Senac etc.), integrando-as a um projeto estruturado.
●Incentivo ao empreendedorismo nas mídias de massa. Compartilhamento de experiências e de casos de sucesso e insucesso por meio de programas televisões, propagandas, entre outros.
●Aproximação da atividade empreendedora praticada intuitivamente com ambientes escolares e com universidades. Isso é fundamental para a qualificação do empreendedorismo no Brasil. O mesmo vale para a aproximação entre pesquisa e boas tecnologias com quem se interessa em abrir um novo negócio.
● A inserção da educação empreendedora desde a escola fundamental, com base de conhecimento sobre plano de negócios, estudo de mercado, fatores econômicos que afetam o negócio, dentre outros aspectos essenciais para se ter êxito. Quanto mais cedo o espírito empreendedor for disseminado, maior será a chance de ter jovens empreendedores no futuro.
● Oferecer novas fontes de financiamento adequadas para a promoção de novas e pequenas empresas.
● Melhorar substancialmente as condições de financiamento para o empreendedor ter maior segurança na manutenção e expansão de seus negócios.
Fonte: IBQP e GEM Brasil (2017).
Apesar das necessidades de melhoria do ambiente empreendedor no Brasil, atualmente vivemos uma fase relativamente positiva do ponto de vista institucional para o desenvolvimento dos negócios, porém, não basta lançar políticas e programas para a promoção do empreendedorismo, o importante, além disso, é fazer com que eles cheguem ao empreendedor.
Nesse sentido, destacamos, aqui, ações nacionais que têm por objetivo a melhoria do ambiente para o investimento em negócios. É o caso da Lei nº 11.196/2005, a medida provisória 255, a “MP do bem”, que provavelmente é a lei de maior alcance no meio empresarial, pois altera pontos importantes, como a desoneração do investimento e empresas exportadoras de bens de capital, incentivos à contratação de pesquisadores, duplicação do enquadramento das empresas ao sistema de tributação “Simples”, isenção de PIS e Cofins para compra de computadores de baixo custo.
Outro avanço foi a aprovação no congresso brasileiro do “Super Simples”, lei geral das micro e pequenas empresas – projeto de Lei nº 123/2004 – que agiliza o sistema de arrecadação das empresas beneficiadas. Além dessas iniciativas federais, há nos estados políticas de redução das alíquotas do ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias, de acordo com o faturamento, incluindo a isenção dos impostos estaduais em segmentos estratégicos para micro e pequenas empresas, assim como alguns produtos da cesta básica.
Considerando as políticas públicas existentes no Brasil, seria interessante que o assunto fosse aplicado aos alunos desde o Ensino Médio, onde o estudante tem sonhos e pode entender os conceitos básicos. Assim, seria possível melhorar os resultados das empresas e, consequentemente, da economia.

A Endeavor (2019) se apresenta como uma entidade global sem fins lucrativos que tem como missão transformar o mundo através dos empreendedores. No Brasil, desde 2000, busca-se promover o ambiente de negócios estimulando o crescimento das Scale-Ups, empresas de alto crescimento com modelo escalável e inovador.
Diante da necessidade de desenvolvimento econômico, seja por meio da geração de empregos ou pela inovação tecnológica, muitos países têm incentivado seus empreendedores. Podemos destacar algumas nações que têm apoiado o desenvolvimento por meio do incentivo ao empreendedorismo. Vejamos a seguir.
Cada país tem uma política para lidar com o tema. Na Áustria, o governo preocupa-se com a capacitação de pessoal em pequenas e médias empresas, atuando através de programas de capacitação do pessoal e melhoria da competitividade das empresas.
A Austrália tem como um dos principais objetivos a promoção do empreendedorismo com foco em mulheres aborígines (nativas ou indígenas) jovens, que têm suporte do governo federal como parte do programa de jovens empresárias. O governo espera gastar U$ 11 milhões em três anos. Desde 1985, o governo australiano tem um programa de incentivo a novas empresas para pessoas desempregadas, no qual as pessoas recebem um benefício de 12 meses para iniciarem um novo negócio. Em 1996, cerca de 43% da força de trabalho australiana era composta por mulheres com capacidade empreendedora.
O jovem empresário também é foco, principalmente, no ensino básico. Lá, existem programas de simulação empresarial para jovens, além do incentivo do governo federal que por meio do Departamento da Indústria, Ciência e Recursos, tem realizado promoções que incentivam jovens empresários a constituir uma cultura empreendedora.
Na Alemanha, existem programas de capacitação. Um deles é o Mercur, um programa financiado pelo Ministério da Educação e Pesquisa e pelo Instituto Federal de Treinamento Vocacional. O projeto visa promover a teleaprendizagem na área de manufatura, sendo operado pela Universidade de Colônia, com a colaboração das associações de classe.
No Canadá, existem instituições sem fins lucrativos que buscam fomentar o empreendedorismo, como é o caso do Canadian Institute of Small Business Counsellors Inc. (CISBC), cujo propósito é promover o crescimento profissional e o desenvolvimento de pequenas empresas.
Existe parceria do governo em várias universidades do país, entre elas, o Centre d’entrepreneurship HEC-Poly-UdeM. O centro tem atuado na orientação de planos de negócios (sempre requeridos por qualquer instituição financiadora no Quebec) e na administração de empresas recém-criadas, suprindo as ineficiências dos engenheiros no que tange à gestão. Promovem com regularidade seminários de informação e formação para seus afiliados e para a comunidade empreendedora em geral. A instituição conta com parceiros como o Ministério dos Negócios (Ministère des Affaires Municipales et de la Metrópole), do Banque de Montréal, da Bell Canada e da KPMG, dentre outros.
O Centro de Empreendedorismo da McGill tem a pretensão de atuar com empreendedores em projetos de criação de empresas atendendo ao público interno e promovendo seminários e conferências para as comunidades empreendedoras de Montreal. São vários os focos de atuação das políticas públicas para o empreendedorismo, como mulheres, jovens, imigrantes e pessoas sem habilidades que pensam em empreender com o objetivo de crescimento e geração de empregos.
Na Bélgica, o governo cobre metade dos gastos das PMEs com vouchers de consultoria. A meta é encorajar as PMEs a buscarem aconselhamento profissional para tomadas de decisão (em organização corporativa, estratégia, gerenciamento de pessoal, marketing, automação e meio ambiente). Operacionalmente, as PMEs adquirem vouchers no valor de 30 euros até o limite de 820 euros e os utilizam em projetos de consultoria que devem custar mais de 300 euros.
O Sebrae, em seu livro Políticas Públicas: As Micro e Pequenas Empresas e as Compras Governamentais, apresenta o caso da Dinamarca, onde o Ministério da Educação opera um Fundo para Planejamento Educacional. Esse fundo atua em vários setores da economia visando atender empresas com menos de dez empregados. Como meta principal, foca na ampliação da competência dos empregados. Essas atividades subsidiadas têm como colaboradores entidades educacionais e empresas, que buscam novas formas de treinamento e de desenvolvimento de competências, de preparação de treinamentos e planejamento de desenvolvimento de competências, além da formação de redes de planejamento educacional. O ponto primordial do projeto é que ele seja executado por empregados e direção da empresa, de forma colaborativa.
Segundo o Sebrae (2007), na Espanha, a capacitação de empreendedores tem como característica a descentralização, que acontece através da atuação regional, de modo que o empreendedor encontra programas de treinamento em várias regiões. Consequentemente, existem diferentes centros especializados, como a Confederação dos Empresários da Galícia (CESEGA), que opera na promoção de novos empreendimentos. Existem também as agências de desenvolvimento econômico da Castilha e Leon, que monitoram projetos de promoção ao empreendedorismo. Uma rede de 21 centros de incubação e inovação é outra estrutura disponibilizada para estimular e encorajar a criação de novas empresas.
Além disso, existem programas que dão suporte e informação para pequenos empresários para a inserção em mercados que não conseguiriam atingir sozinhos. A Dirección General de Política de la Pequeña y Mediana Empresa (DG-PYME), uma instituição de promoção aos pequenos empresários, com suporte do Alto Conselho do Comércio, tem explorado os caminhos para orientação das empreendedoras em parceria com o Conselho da Mulher e o Ministério do Trabalho e Ação Social e o Conselho da Indústria e Comércio. Existe um número de programas para a promoção da empregabilidade para pessoas desempregadas e o Instituto Nacional do Emprego (INEM) tem duas iniciativas para a promoção de desempregados na iniciação de um novo negócio, como cooperativas de trabalhadores, além do programa de incentivo para criação de empregos extras.
A DG-PYME, em parceria com o Instituto dos Jovens, tem trabalhado com o objetivo de diminuição de desemprego entre o público jovem, além da promoção do empreendedorismo. Para que se garanta o financiamento de todas essas iniciativas, existem algumas organizações que promovem o acesso do capital aos empresários, como a Compania Espanola de Reafianzamiento S.A. (Cersa), uma das que trabalham com sistemas mútuos de garantia de crédito; e o ICO-PYME, que é o instituto oficial de crédito e promove fundos aos bancos espanhóis para promoção de pequenas e médias empresas.
O Plano de Iniciação em Promoção no Exterior (PIPE, 2000), um programa espanhol de incentivo à exportação, tinha como objetivo ampliar o número de pequenas e médias empresas exportadoras, transformando a cultura das empresas e aprimorando a competitividade das PMEs, colocando-as em condições de exportar. O programa prevê apoio financeiro, bem como consultorias especializadas.
Quando temos apoio para desenvolver nossas atividades, a tendência é que consigamos concluí-las. Esse é o papel assumido pelas incubadoras, de apoiar e dar suporte a negócios em fase de criação e desenvolvimento. Para saber mais, assista ao vídeo “Incubadora de empresas”.
Nos Estados Unidos, um dos destaques é o projeto de incentivo às incubadoras que desempenham impacto econômico na promoção de empregos e renda a partir de pequenas e médias empresas. Alguns dos grupos de foco são as mulheres, os hispânicos, asiáticos, africanos, índios nativos e os veteranos. A promoção do empreendedorismo ocorre não só por iniciativas governamentais, mas também por meio das universidades.
O Centro de Empreendedorismo, em Harvard, focava no ensino tradicional para a gestão de grandes corporações, entretanto, percebeu as mudanças no ambiente dos negócios e se inseriu no campo de estudo do empreendedorismo. O Centro de Empreendedorismo do MIT centra suas ações no desenvolvimento de empresas de alta tecnologia, focando em treinamentos e desenvolvimento de líderes para empreendimentos de alta tecnologia.
No setor de empreendedorismo rural, o Alabama Nordeste de Sistema Empresarial (o Sistema) foi fundado em março de 1998, em Anniston, no Alabama. O Sistema foi projetado para criar e unir três incubadoras empresariais localizadas ao longo da região.
O Centro de Greenbrier tem espaço para 19 inquilinos residenciais e oferece serviços compartilhados aos clientes. O Foodworks, Centro Culinário, é uma incubadora residencial, com um programa de afiliados, que atua na promoção de companhias de comida processada. Representa uma variedade de incubação que busca reunir negócios na mesma indústria e compartilhar recursos, ideias e informações. O propósito é diversificar a economia da região desenvolvendo uma microindústria de comida.
Na Finlândia, existem 17 centros de ciência e tecnologia localizados em universidades de alta tecnologia. Essas incubadoras estão criando cerca de 350 novas empresas por ano. Os principais públicos são as mulheres, imigrantes e os desempregados. A participação de mulheres no mercado de trabalho formal não é expressiva, porém, o incremento da participação é o objetivo das políticas públicas finlandesas. Para isso, o governo aposta na oferta de baixos juros, microcrédito e treinamento especializado. Para os imigrantes, existem projetos de inclusão de provisão para a promoção do empreendedorismo, incluindo programa de financiamento e esforço para facilitar o relacionamento entre empreendedores imigrantes. Outro foco dos projetos para promoção do empreendedorismo é a formação de redes de cooperação entre empreendedores e a promoção da criação de empresas a partir de desempregados,
O capital de risco industrial na Finlândia é muito recente e tem crescido acentuadamente desde 1999. Isso foi inicialmente estimulado pela Finnish Industry Investment Fund, uma iniciativa governamental que suportou o capital de risco para crescimento e recursos para fundos regionais. O Sebrae (2017) apresenta exemplos de ações desenvolvidas em alguns países:
Em relação às empreendedoras, o governo federal tem a intenção de aumentar a participação das mulheres na força de trabalho, por meio de uma estratégia macroeconômica, de modo a aumentar a oferta de serviços, segmento em que as mulheres holandesas se identificam. Em relação à tecnologia, espera-se que o investimento nesse setor resulte em um rápido crescimento a partir das pequenas e médias empresas. Essa tecnologia deve ser desenvolvida por meio de parcerias entre o Ministério de Negócios Econômicos e as escolas especializadas.
Na Holanda, existe um centro de informações com a função de fornecer serviços a empregados e empregadores, cujo foco principal é aumentar investimentos no gerenciamento de recursos humanos estratégicos, bem como no interesse dos empregados em assumir responsabilidades por sua condição de empregabilidade. Já na Irlanda, o IBQP (2017, p. 36) diz que:
Em 1999, foi estabelecida a empresa Skillnets, com a finalidade de gerar respostas inovadoras e efetivas para necessidades de treinamentos e de desenvolvimento. A direção da Skillnets é formada por representantes de classes empresariais e de organizações de trabalhadores. Opera o Training Network Programme, que mobiliza grupos ou redes de empresas para gerar respostas estratégicas sob medida, conforme as suas necessidades. As ações são custeadas pelo National Training Fund, e com participação de, em média, 32% dos recursos financeiros pelas empresas participantes.
Segundo levantamentos, esses objetivos são atingidos tornando latentes as habilidades das pessoas, implicando em diferentes formas de aprendizado a serem reconhecidas como adequadas para habilidades específicas. As atividades desse centro de informações são gerenciadas pelo Ministério de Assuntos Econômicos em cooperação com os Ministérios de Assuntos Sociais e Emprego, de Educação, Cultura e Ciência, e por uma organização privada, CINOP, todos os órgãos holandeses.
As incubadoras são importantes projetos de apoio durante o período de iniciação das empresas. Os primeiros dois anos de uma empresa são cruciais para o seu sucesso, sendo uma fase de aprendizado que necessita do suporte de organizações capacitadas, como as incubadoras de empresas.
O IBQP (2017, p. 36) traz outros exemplos de ações que têm como finalidade fomentar as atividades do mercado:
A Islândia tem um programa designado “Step Ahead”, que é operado pelo Iceland Technology Institute. O Programa objetiva facilitar lideranças de micro e pequenas empresas na busca de orientação em marketing, finanças, meio ambiente, organização e gerenciamento de produto. Para tanto, o programa apoia atividades de treinamento em empreendedorismo e gestão da inovação. Na Itália, o sistema educacional e de treinamento tem o objetivo de permitir o reconhecimento de competências adquiridas, em adição às da educação formal. A “Lei de Promoção do Emprego” aborda o aprendizado de toda a vida, pelo qual competências adquiridas pelo trabalho podem ser enunciadas e, potencialmente, reconhecidas da mesma forma que aquelas adquiridas por meio das instituições formais de educação. Na Noruega, o Programa FRAM – abreviatura para compreender, realístico, aceitar e medir – é um programa de desenvolvimento de estratégia e de gerenciamento, para gerências de produção e de serviços em empresas com 5 a 30 funcionários, e cujo objetivo é ampliar a sua competitividade. Desde 1992, quando teve início, o Programa FRAM organiza projetos em sete regiões piloto, com planejamento anual e abrangendo diferentes temáticas. Em paralelo, duas atividades básicas são uniformes: seminários regionais, com foco em aprendizado por troca de experiências entre empresas participantes; e orientação via especialistas, em períodos de 15 meses de processos de desenvolvimento. O Programa é custeado pelo Fundo Regional e de Desenvolvimento Norueguês. Em Portugal, a Linha de Ação Inovação Organizacional (LAIO) é operada pelo Instituto de Treinamento em Inovação em parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Inspeção de Condições de Trabalho. Seu objetivo é contribuir para a inovação organizacional nas empresas privadas e cooperativas portuguesas que possuem entre 50 e 250 funcionários. É concedido apoio financeiro, sob a forma de subsídios, e assistência técnica para implementação de projetos, principalmente por meio de consultoria de serviços (IBQP, 2017, p. 36).
No Reino Unido, as políticas públicas buscam promover a entrada das mulheres no ramo dos pequenos negócios, mediante projetos como treinamento das práticas de gerenciamento ou em projetos que disponibilizam microfinanças (1.000 a 5.000 libras) com juros abaixo do mercado financeiro. O governo, preocupado com a ética nos negócios, implementou políticas que promovem ética, como a Ethic Minority Business Advisory Forum, em dezembro de 1999.
Como o Reino Unido recebe grande número de imigrantes, em julho de 2000, foram implementados, com grande sucesso, programas que promovem o empreendedorismo a esse público, com capital de risco e fundos de investimento. O resultado tem agradado às autoridades governamentais, pois junta a habilidade empreendedora dos imigrantes ao treinamento técnico específico e à viabilidade da proposta.
A iniciativa jovem no empreendedorismo no Reino Unido também conta com programas que oferecem juros baixos, recursos específicos para o tipo de negócio a ser iniciado, além de parcerias governamentais com grandes empresas. Isso tem proporcionado bons resultados na formação de novas empresas, como também na melhoria da sobrevivência dessas empresas.
Na Suécia, existem projetos como o Swedich Job & Society (Stiftelsen Svenska Jobs and Society) que promovem novos empreendimentos em cerca de 100 localidades diferentes do país, sendo o principal alvo as pessoas desempregadas. Outro projeto é o ALMI Företagspartner AB (Almi), de financiamento público com 22 escritórios regionais subordinados ao Ministério da Indústria, tendo como principal objetivo o suporte às micro e pequenas empresas com potencial de crescimento. Já o SME Pckage é um projeto direcionado às pequenas e médias empresas com o objetivo de participar do mercado de exportação.
Existem algumas iniciativas para a promoção do empreendedorismo feminino na Suécia, como o acesso à informação, ao treinamento e às consultorias especializadas. Outros benefícios disponibilizados são os juros com baixas taxas, principalmente, para os empreendimentos menores. Assim como no Reino Unido, na Suécia, também é grande o foco das políticas públicas para promoção do empreendedorismo com imigrantes, desempregados e jovens com potencial empreendedor. Além disso, o governo suíço atua em várias regiões do país identificando as necessidades locais e atuando na formação de redes de relacionamento entre pequenas empresas.
Em Taiwan, o CYCDA oferece seminários especiais para mulheres divorciadas com limitação de oportunidades de emprego, além de mulheres que trabalham em negócios da família. No que se refere ao desenvolvimento de empresas baseadas em tecnologia, o governo tailandês procura repatriar engenheiros que mudaram para países como os Estados Unidos, de modo que possam elaborar pesquisas em produtos de base tecnológica que possam promover o crescimento nos empreendimentos. Além disso, busca promover acordos para a formação de redes para a promoção do empreendedorismo, permitindo com que os eventos, treinamentos e congressos possam ser proveitosos para a indústria.
É interessante perceber que a promoção de um ambiente empreendedor por meio de políticas públicas tem como foco pontos relevantes para uma análise comparativa. Essas políticas e programas públicos são importantes, sejam como ferramenta governamental ou para instituições que promovem um ambiente favorável ao desenvolvimento de empreendimentos, assim como a regulação dos mercados em que estão inseridos. Assim, em países de dimensões continentais, como o brasileiro, a articulação entre as esferas Federal, Estadual e Municipal tem grande importância na implantação dessas políticas (BIDERMAN; BARBERIA, 2005).
Para Julien (2005), o Estado tem importante papel na promoção de um ambiente que promova o empreendedorismo. Para o autor, por meio das políticas públicas, o Estado pode cumprir cinco papéis importantes: orientar, associar, apoiar, estimular e facilitar recursos para as pequenas empresas. A partir das informações de políticas e programas brasileiros e dados de diversos países apresentados anteriormente, é possível apresentar um quadro com diferentes iniciativas.

Os Estados Unidos é um dos países mais empreendedores do mundo, visto que possui grande preocupação com a promoção de novos negócios e a inserção de grupos importantes, como estrangeiros jovens. Destaca-se, também, uma grande preocupação com a tecnologia, muitas vezes, promovida mediante os sistemas de incubação. Nos países europeus, tem-se dado grande importância à capacitação de micro e pequenos empresários e à competitividade das empresas. A participação de universidades como promotoras do empreendedorismo também é evidente na comunidade europeia.
No caso brasileiro, as iniciativas existem, porém, é importante destacar a necessidade de uma adequada gestão dessas políticas e programas públicos, visto que as exigências de um mercado globalizado e altamente competitivo, no qual produtividade e qualidade passaram a ser elementos-chaves, envolvem não só mudanças técnicas, mas também de comportamentos e valores.
Alguns pontos comuns entre as políticas públicas brasileiras e os demais países apresentados é a preocupação com a capacitação de novos empresários, empresários já estabelecidos e jovens no mercado de trabalho, além do processo crescente de incentivo a incubadoras.
Além disso, parece comum entre o Brasil e os demais países apresentados a intenção de cada país, por meio do empreendedorismo, resolver problemas específicos, enquanto a maioria dos países europeus se preocupa com a questão dos imigrantes e sua inclusão no mercado. No Brasil, a preocupação ainda se restringe à formação de um gestor profissional, sendo que o objetivo dos países desenvolvidos é a formação de empresas direcionadas à criação de alta tecnologia e inclusão de pequenas e médias empresas no mercado internacional. Trata-se de uma posição estratégica para o crescimento dos respectivos produtos internos brutos.
Por características brasileiras específicas, que surgem a partir da Constituição de 1988, as esferas Nacional, Estadual e Municipal, apresentam-se com considerável desconexão entre as iniciativas de políticas públicas. Isso pode responder a algumas questões em relação à falta de grandes projetos e de bons resultados na área de empreendedorismo brasileiro. Por outro lado, essa autonomia pode resolver o problema da diversidade do povo brasileiro, que poderia ser mais bem potencializada se, independentemente da esfera governamental, existissem maiores investimentos nas instituições de ensino com o objetivo de celebrar parcerias em projetos, como incubadoras ou capacitação de empresários, por exemplo.

Empreendedores têm, em geral, um perfil parecido, independentemente do segmento que escolheram para abrir um negócio. Conhecer o perfil empreendedor é o primeiro passo para saber se está pronto para ingressar nesse desafio ou se é necessário aprender ainda mais sobre empreendedorismo.
Pessoas que têm o perfil que descreveremos a seguir não são melhores ou piores que as outras, apenas apresentam características que podem facilitar o planejamento e a implantação de uma empresa ou o planejamento e a implantação de um projeto dentro de uma empresa, como é o caso dos intraempreendedores.
Enfim, muito tem se estudado sobre esse perfil, com o objetivo de entender melhor o porquê dessa natureza e o potencial que cada tipo de perfil tem em transformar a sociedade, seja pela geração de renda, seja pela inovação. McCelland (David), em seu estudo, destacou que os empreendedores têm um perfil semelhante e uma forma de agir muito parecida, independentemente do ambiente empreendedor em que estão inseridos. Além disso, não importa a idade, o gênero ou a formação, o perfil tende a ser semelhante. Entenda a seguir qual é esse perfil:
Como os empreendedores têm a capacidade de identificar e sumarizar muitas variáveis ao mesmo tempo, têm uma espécie de antena, onde percebem oportunidades à medida que desenvolvem seu trabalho. Quando a questão são os problemas, comuns no mundo dos negócios, dão foco na solução e, em geral, conseguem ver oportunidades de crescimento nessas situações. Também se utilizam da famosa expressão “faça do limão uma limonada”, para as oportunidades de aprender e crescer que estão em todos os lugares.
Empreendedores avaliam alternativas antes de tomar a ação. Essas alternativas compreendem a análise de tudo o que está em jogo, o que se pode perder com o investimento e o que se pode ganhar, quando o retorno vai acontecer se no curto ou no longo prazo. Diante das alternativas disponíveis na tomada de decisão, os empreendedores tendem a escolher pelo que exigem esforço moderado e maior possibilidade de conquista e, em geral, descartam as alternativas fáceis e com pequeno retorno, bem como as muito arriscadas, que no caso de sucesso, darão grandes retornos.
Dar foco em qualidade, além de garantir mais e melhores clientes, melhorar o desempenho da empresa sob todos os aspectos da gestão. Isso significa que dar foco à qualidade, como na entrega de pedidos em datas programadas, custos de produção que tendem a ser mais baixos que os concorrentes e os produtos que possuem características que permitam parcerias comerciais com grandes empresas.
Empreendedores têm seus objetivos como a grande motivação para o trabalho e, para atingir esses objetivos, são necessárias persistência e criatividade. Quando a maioria desiste na primeira dificuldade, a persistência do empreendedor lhe permite estudar alternativas diferentes para chegar ao objetivo anteriormente definido.
Dificilmente se compromete com algo que ele não pode cumprir, pois os empreendedores, em geral, estão envolvidos com seus compromissos. Isso acontece tanto dentro, quanto fora da empresa, já que uma vez que o compromisso é firmado, irá cumprí-lo, mesmo que isso lhe custe um fim de semana.
Como sempre, os empreendedores estão tomando decisões e procuram informações em toda a parte, o que aumenta o sucesso nas decisões tomadas. Por isso, são considerados curiosos, consultando, desde amigos e fornecedores, até concorrentes. Isso lhes permite um cruzamento de variáveis para a tomada da decisão adequada.
Como os empreendedores de sucesso têm objetivos muito bem definidos, é a partir desses objetivos que definem as metas a serem alcançadas. Essa forma de pensar e de se organizar resulta em um maior desempenho.
Planejar é uma arte, uma forma de se antecipar às dificuldades e sucessos que hão de vir no desenvolver de todo o planejamento. Baseado no conhecimento do seu negócio e nas informações que estão sempre recebendo, os empreendedores têm a capacidade e a iniciativa de corrigir o percurso do planejamento à medida que acompanham a execução de forma sistemática.
Em geral, os empreendedores são comunicativos, conhecem bem seu empreendimento e seus objetivos. Assim, conseguem mobilizar o público interno da empresa, os colaboradores, bem como o público externo, seus fornecedores, parceiros e investidores. A persuasão não acontece ao acaso, em geral, são pessoas que planejam e conhecem pessoas de confiança.
Em geral, atingem resultados mais que outras pessoas e tendem a ter maior confiança ao tomar atitudes, o que os tornam independentes. Essa postura é resultado de todas as características anteriormente apresentadas.
Os empreendedores são pessoas com iniciativa e capacidade de envolvimento. Ao contrário do que muitos imaginam, empreendedores podem adquirir suas competências no decorrer da vida profissional.
Dornelas (2005) adiciona ou reforça algumas características, além das já apresentadas, assim, empreendedores são pessoas:
O vídeo a seguir se relaciona com o que estamos discutindo neste tópico. Sobre o perfil do empreendedor e algumas dicas que podem lhe auxiliar a ser um bom empreendedor, ter um bom negócio e sucesso, assista ao vídeo “10 Características do Empreendedor” do Sebrae.
Outro campo do estudo é o empreendedorismo social, uma forma de empreender com foco em habilidades de transformação social. Dessa forma, o empreendedor social apresenta as seguintes características:
Estudamos até aqui as várias definições do empreendedorismo, que variam de acordo com o objetivo do empreendedor. Vimos que as economias estão cada vez mais complexas e mais competitivas. Assim, copiar o que o vizinho está fazendo, em breve, não será um bom negócio. A saída será empreender de forma criativa e com inovação. Dessa forma, o empreendedor está atendendo às novas necessidades ou atendendo às antigas necessidades de seus consumidores, de forma diferente e melhor. No Brasil, ainda são poucos os empreendedores de alto impacto ou que mudam radicalmente os mercados existentes, pois nosso grande desafio ainda está na gestão. É expressivo o número de empreendedores que encara o desafio de abrir um negócio sem o devido entendimento de gestão e que não conhece o conceito básico de fluxo de caixa.
Por ora, se nosso desafio está, em grande parte, na gestão, ainda estamos longe de termos empreendedores inovadores que criam produtos e mudam os mercados. Em países desenvolvidos, esse foco está claro e os governos apoiam essas iniciativas. Aliás, como vimos, temos muitas iniciativas, porém, não têm o foco e a disponibilidade de recursos exigidos para um país continental como o nosso.
Um dos destaques no Brasil em relação ao incentivo ao empreendedorismo é o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) que tem boa capilaridade no território nacional e, em geral, consegue ter foco e bom orçamento para articular o desenvolvimento das várias regiões em que atua.
O empreendedorismo no Brasil
Conheça histórias inspiradoras de empreendedores brasileiros no canal da Endeavor, no YouTube, no qual contam sobre como surgiram as primeiras ideias, a trajetória de tornar o sonho uma realidade, bem como os erros e acertos desse percurso. Uma dessas histórias é a da Daniela Cruz, cofundadora da Vult Cosméticos, que enquanto ainda trabalhava com seu pai na empresa de construção, Daniela tinha uma visão própria do que era liderar um negócio seu. Ao lado de Murilo, seu amigo, ela enxergou uma oportunidade de criar um mercado para maquiagens, democratizando o acesso a bons produtos, que pudessem transformar a autoestima das consumidoras. Assim, 14 anos depois dessa empreitada que começou em Mogi das Cruzes, com apenas dois funcionários, Daniela vendeu no ano passado (2018) a empresa para o Grupo Boticário.
Empreender está entre as ações que fazem parte de um campo de estudos em evolução. Assim, o entendimento desse fenômeno é importante, pois o momento econômico exige geração de renda por meio do aumento da produtividade, principalmente, no caso brasileiro. Segundo estudos, independentemente do tipo do negócio, o empreendedor deve possuir como características:
I. Ser comprometido.
II. Ser criativo e persistente.
III. Ter capacidade de inventar e de inovar.
IV. Ter preocupação com o desenvolvimento pessoal e social.
Sobre as características do empreendedor, está correto o que se afirma em:
Dentre os diferenciais que o empreendedor deve apresentar, existe a preocupação socioambiental que foca as suas habilidades na transformação social. O empreendedor social deve focar na busca de soluções para problemas sociais, tendo como características:
I. Capacidade de articulação com governos, organizações não governamentais e iniciativa privada, com o objetivo de atender às suas demandas.
II. Capacidade para solucionar problemas para os quais outras pessoas não veem solução.
III. Capacidade de engajar outras pessoas para a solução de problemas.
IV. Facilidade para transformar ideias em realidade.
Está correto apenas o que se afirma em: